quinta-feira, 18 de setembro de 2008

sem força...sem sangue...sem querer

Eu tinha um texto melhor pra postar....eu sei bem que eu tinha...mas hoje ele pode esperar pra qualquer outro dia desses...porque hoje eu não sei bem como seria estar viva...é como se meu corpo passasse a maior parte do tempo transitando entre ruas e carros e pessoas...mas que eu não tivesse o controle de guiá-lo...como se ele se baseasse em uma rotina meramente inexistente de se locomover...me irrita imaginar meu não controle...não controle de sons, de cores, de vida, de morte e de amores...meu descontrole de lágrimas e de palavras que não saem quando deveriam e das que saem quando deveria me calar...me perco em tentar entender de que vale à aqueles que gastam mais tempo cutucando e querendo ver sangrar as feridas alheias do que cuidar da sua própria maldade para tornar se útil de alguma forma...qual a necessidade de remoer fatos que se tenta apagar pela dor que te desconstroi com vozes e cenas que você prometeu a si mesmo que não iria mais reprisar em lembranças doentias de dor incontrolável...pra que olhar nos olhos de uma pessoa que se percebe não poder andar ou sorrir sem gastar mil vezes mais energia que uma pessoa comum e retorcer com os dedos o corte que se reabre aos poucos e sentir prazer em ver aquilo sangrar...em sentir o próximo se ajoelhar com impotência se retorcer com lamento...chorar de incapacidade...saiba que é isso que eu me sinto...um nada um ninguém...no máximo um degeto irrisório e indigno de piedade nem perdão por ter me deixado colocar nessa situação de angustia e dor...não sinto raiva nem por sofrer nem por ter tido a ferida além de aberta cutucada...não tenho forças para tal...as lembranças me deixam em choque assim como fiquei quando o mundo mudou o curso e minha inocência infantil se quebrou em partes infinitas que mal consegui colar...você não imagina o que é passar por isso...você não tem ideia o que é perder em segundos o que acreditou te valer a vida toda...então quer um conselho...cutuque suas próprias feridas...o teu sangue te cabe...o meu não existe...foi drenado a tempos...e o pouco que se reconstituiu não te pertence de forma alguma...que quero descer desse mundo...hibernar uma vida...até que a próxima se mostre aceitavelmente vivivel...não se preocupe em se desculpar...não me procure...não queira me ligar...suma você, sua insignificância, sua incapacidade de amar e seu fetiche de querer me ver sangrar....

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