Eu tinha um texto melhor pra postar....eu sei bem que eu tinha...mas hoje ele pode esperar pra qualquer outro dia desses...porque hoje eu não sei bem como seria estar viva...é como se meu corpo passasse a maior parte do tempo transitando entre ruas e carros e pessoas...mas que eu não tivesse o controle de guiá-lo...como se ele se baseasse em uma rotina meramente inexistente de se locomover...me irrita imaginar meu não controle...não controle de sons, de cores, de vida, de morte e de amores...meu descontrole de lágrimas e de palavras que não saem quando deveriam e das que saem quando deveria me calar...me perco em tentar entender de que vale à aqueles que gastam mais tempo cutucando e querendo ver sangrar as feridas alheias do que cuidar da sua própria maldade para tornar se útil de alguma forma...qual a necessidade de remoer fatos que se tenta apagar pela dor que te desconstroi com vozes e cenas que você prometeu a si mesmo que não iria mais reprisar em lembranças doentias de dor incontrolável...pra que olhar nos olhos de uma pessoa que já se percebe não poder andar ou sorrir sem gastar mil vezes mais energia que uma pessoa comum e retorcer com os dedos o corte que se reabre aos poucos e sentir prazer em ver aquilo sangrar...em sentir o próximo se ajoelhar com impotência se retorcer com lamento...chorar de incapacidade...saiba que é isso que eu me sinto...um nada um ninguém...no máximo um degeto irrisório e indigno de piedade nem perdão por ter me deixado colocar nessa situação de angustia e dor...não sinto raiva nem por sofrer nem por ter tido a ferida além de aberta cutucada...não tenho forças para tal...as lembranças me deixam em choque assim como fiquei quando o mundo mudou o curso e minha inocência infantil se quebrou em partes infinitas que mal consegui colar...você não imagina o que é passar por isso...você não tem ideia o que é perder em segundos o que acreditou te valer a vida toda...então quer um conselho...cutuque suas próprias feridas...o teu sangue te cabe...o meu já não existe...foi drenado a tempos...e o pouco que se reconstituiu não te pertence de forma alguma...que quero descer desse mundo...hibernar uma vida...até que a próxima se mostre aceitavelmente vivivel...não se preocupe em se desculpar...não me procure...não queira me ligar...suma você, sua insignificância, sua incapacidade de amar e seu fetiche de querer me ver sangrar....
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Poder de cicatrização
É estranho doer tanto por pensar em um dia perder o que nunca nos pertenceu de fato...pensando bem o que nos pertence? Nossos sonhos, nossas almas, nossos sorrisos, nossas lágrimas, nossas memórias, nossa criação...essas coisas não se perde, não se troca, não se vende, não se aluga, não se racionaliza...
Então de fato não perdemos nada que nós nomeamos de nosso de fato...nosso namorado(a) e nossos amigos são na realidade pessoas de vida própria que não nos pertencem e logo não são nossos de fato para se perder...nos é que somos deles e enquanto isso se mantém é um intercâmbio mutuo de o que é nosso de fato...sorrisos, lágrimas, lembranças e sonhos...é uma união de almas que se ligam e pronto...as pessoas são assim não só os conhecidos como os desconhecidos cada qual é um que escolhe a dedo ou pura sorte com que vai compartilhar o que lhe pertence...são pessoas que tem sua própria reserva de coisas próprias que nós resumimos em palavras como HISTORIA e VIDA...e vemos em cada uma dessas pessoas um espelho de nós mesmos pois definimos erroneamente sua bondade e maldade nos âmbitos de nosso próprio limite, e acabamos por cobrar delas mesmo que inconscientemente, que tenham atitudes parecidas com as nossas até o dia que finalmente entendemos que isso nunca vai ser possível simplesmente porque o que nos pertence é diferente...os limites são outros, os objetivos e modos de chegar em algo é diferente, mesmo que o destino, a vontade e a veracidade de pureza de tal seja o mesmo...
Nosso emprego, nosso carro, nosso dinheiro...não é de fato nosso...é o que nos ajuda a sobreviver, a nos manter e alimentar um corpo que um dia some mas guarda tudo que é nosso de fato...aquelas coisas todas que se guarda num só lugar para que fiquem mais fáceis de catalogar e tentar explicar, mas não que ele seja estritamente necessário...ele apenas existe para tal fim...
As palavras não nos pertencem de modo algum...elas só existem para que se possa compartilhar o que é nosso para que quanto o real aglomerado do que somos e temos se vá alguém ainda possa lembrar e catalogar mas nunca mais explicar com clareza o que na realidade foi sentido, vivido, sorrido, chorado ou sonhado por nos mesmos...
Não acredito que faça sentido algum...nem que tenha nexo o que digo porque as palavras só expressam o que é expressavel do que me pertence...e apartir do momento que conto não é mais meu...se torna nosso...acho que seja isso que me impede de falar o que me dói por que não quero que a minha dor pese em ninguém...só conto o que me conforta...o que me acalma, o que me parece ser bom de algum modo...porque então torno "nosso" o que vai levar a sorrir e não à chorar...talvez seja um erro...talvez seja superproteção de alguém que prefere doer do que ver os outros doerem...talvez não seja nada disso...talvez seja puro egoísmo de alguém que aprendeu que a dor fortalece...mas o meu jeito é esse, pois não vejo maldade em ser assim...me conforta poder dividir a sua dor para que você não doa tanto...mas me dói dividir a minha te fazendo doer mais do que o que já dói...então me calo pelo simples e medíocre prazer de me calar...
Não somos nada alem do nosso poder de cicatrização...e esse varia de acordo com o que é inserido em nossa caixa de posses...o problema real do homem é de fato o deslumbre...é acreditar no que não é, é se basear no que não acontece...fatos são fatos e nada me vale remoer um passado que já passou e não me pertence mais, por mais que as vezes ele me afronte, que me espete e me faça sangrar, se ele faz isso é pelo meu presente, para que eu não cometa os mesmos erros para que eu não me magoe com as mesmas bobagens e mais ainda para que eu não magoe os outros com bobagens parecidas....Assim como de nada me vale imaginar um futuro que não aconteceu e pode não acontecer...viver pensando nisso vai me impedir de perceber o que me pertence de fato...e logo nunca terei nada meu...nada alem de um poder de cicatrização ineficiente e em desuso...
