segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Poder de cicatrização

É estranho doer tanto por pensar em um dia perder o que nunca nos pertenceu de fato...pensando bem o que nos pertence? Nossos sonhos, nossas almas, nossos sorrisos, nossas lágrimas, nossas memórias, nossa criação...essas coisas não se perde, não se troca, não se vende, não se aluga, não se racionaliza...
Então de fato não perdemos nada que nós nomeamos de nosso de fato...nosso namorado(a) e nossos amigos são na realidade pessoas de vida própria que não nos pertencem e logo não são nossos de fato para se perder...nos é que somos deles e enquanto isso se mantém é um intercâmbio mutuo de o que é nosso de fato...sorrisos, lágrimas, lembranças e sonhos...é uma união de almas que se ligam e pronto...as pessoas são assim não só os conhecidos como os desconhecidos cada qual é um que escolhe a dedo ou pura sorte com que vai compartilhar o que lhe pertence...são pessoas que tem sua própria reserva de coisas próprias que nós resumimos em palavras como HISTORIA e VIDA...e vemos em cada uma dessas pessoas um espelho de nós mesmos pois definimos erroneamente sua bondade e maldade nos âmbitos de nosso próprio limite, e acabamos por cobrar delas mesmo que inconscientemente, que tenham atitudes parecidas com as nossas até o dia que finalmente entendemos que isso nunca vai ser possível simplesmente porque o que nos pertence é diferente...os limites são outros, os objetivos e modos de chegar em algo é diferente, mesmo que o destino, a vontade e a veracidade de pureza de tal seja o mesmo...
Nosso emprego, nosso carro, nosso dinheiro...não é de fato nosso...é o que nos ajuda a sobreviver, a nos manter e alimentar um corpo que um dia some mas guarda tudo que é nosso de fato...aquelas coisas todas que se guarda num só lugar para que fiquem mais fáceis de catalogar e tentar explicar, mas não que ele seja estritamente necessário...ele apenas existe para tal fim...
As palavras não nos pertencem de modo algum...elas só existem para que se possa compartilhar o que é nosso para que quanto o real aglomerado do que somos e temos se vá alguém ainda possa lembrar e catalogar mas nunca mais explicar com clareza o que na realidade foi sentido, vivido, sorrido, chorado ou sonhado por nos mesmos...

Não acredito que faça sentido algum...nem que tenha nexo o que digo porque as palavras só expressam o que é expressavel do que me pertence...e apartir do momento que conto não é mais meu...se torna nosso...acho que seja isso que me impede de falar o que me dói por que não quero que a minha dor pese em ninguém...só conto o que me conforta...o que me acalma, o que me parece ser bom de algum modo...porque então torno "nosso" o que vai levar a sorrir e não à chorar...talvez seja um erro...talvez seja superproteção de alguém que prefere doer do que ver os outros doerem...talvez não seja nada disso...talvez seja puro egoísmo de alguém que aprendeu que a dor fortalece...mas o meu jeito é esse, pois não vejo maldade em ser assim...me conforta poder dividir a sua dor para que você não doa tanto...mas me dói dividir a minha te fazendo doer mais do que o que já dói...então me calo pelo simples e medíocre prazer de me calar...

Não somos nada alem do nosso poder de cicatrização...e esse varia de acordo com o que é inserido em nossa caixa de posses...o problema real do homem é de fato o deslumbre...é acreditar no que não é, é se basear no que não acontece...fatos são fatos e nada me vale remoer um passado que já passou e não me pertence mais, por mais que as vezes ele me afronte, que me espete e me faça sangrar, se ele faz isso é pelo meu presente, para que eu não cometa os mesmos erros para que eu não me magoe com as mesmas bobagens e mais ainda para que eu não magoe os outros com bobagens parecidas....Assim como de nada me vale imaginar um futuro que não aconteceu e pode não acontecer...viver pensando nisso vai me impedir de perceber o que me pertence de fato...e logo nunca terei nada meu...nada alem de um poder de cicatrização ineficiente e em desuso...

Um comentário:

Anônimo disse...

Tava demorando pra voltar heim?rsrsrs
Ótimo como sempre...Beijão