segunda-feira, 10 de setembro de 2007

reflexos

E as vezes parece que só se respira pra se chegar no amanha e se passa um bom tempo tentando não admitir que se viveu tanto tempo da vida tentando fazer o que não foi capaz...as vezes parece que ouvir vozes é algo alem de essencial, algo que chega a ser sobrenatural, algo que te impulsiona e ao mesmo tempo te convence que vale a pena seguir em frente; vozes que se misturam com pensamentos...amigos que se tornam parte de você, mesmo quando você esta sozinho logo percebe que não esta...coisa que não se explica e nem se entende...coisa em que se confia e segue sem mesmo ter certeza de porque se apaixonou e se envolveu...perceber então o quanto foi tão ridiculamente fácil e rápido...perceber que confio neles por saber que estão ao meu lado mesmo quando não tenho o que falar, mesmo quando tudo que preciso é um abraço...é tão completo, necessário e sem ter de dizer nada que é como se fossem uma extensão de mim...pedaços que me fazem maior e mais forte; mas mesmo assim não me entendo, na me sinto inteira...e não perco essa mania de me perder nos olhos que vejo quando te olho...é mais fácil do que me perder no mar de promessas...eu caio no conto do vigário e a pessoa a quem esses olhos pertence nem teve de abrir a boca pra conta-lo...eh como se no fundo dos teus olhos tivesse algo mais profundo, uma melancolia alegre ou uma alegria perdida...é uma criança com responsabilidades que eu vejo no teu rosto...são as preocupações que eu vejo nas marcas do seu rosto...são as manias de não levar nada a serio que eu vejo nas suas cicatrizes...é a pressa de querer que eu enxergo em todas as vezes que você muda seu estilo...eh a dor que eu vejo no escorrer das lágrimas...a confiança e a sinceridade que eu vejo no seu sorriso...olhos que eu me perco olhando e imaginando como seria se não fossem tão escuros...olhos que te fazem transparente e sem mistério...olhos que observam e filtram o que a vida quis lhe mostrar...olhos de curiosidade misturados com seriedade...olhos que vejo, olhos que me enganam...olhos nos quais eu me perco toda vez que eu paro na frente do espelho...e então percebo o quanto isso é ridículo e ironico...eu me perco em mim e me engano sem remorso...pelo simples prazer de saber que o dona dona do reflexo com olhos e sorrisos que me fascinam precisa ser impulsionada a respirar de alguma forma...eu sou só um reflexo, sem medo, sem tempo sem ar...eu não sou nada, não sou ninguém alem de mim....e pelo incrível que pareça já me basta...

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